19 de setembro de 2007

Campanha: acabe com seu que, muito, já...

Que, muito, já, mais, não, mas, é e outros verbos de ligação grudam nas palavras e infestam os textos.
Na maioria das vezes, são desnecessários. São recusos simples para escrever da forma mais fácil - mas não da melhor.

Fulano de Tal é contratado por muitas empresas para ajudar a rever os processos de vendas.

Quem disse que são muitas empresas?

O Fulano não deu o número de empresas que o contratam. O muitas, nesse caso, é só vício.

5 de setembro de 2007

Ordem direta

As notícias nos jornais às vezes me assustam. Não pelo conteúdo, mas pela forma como são escritas. Vide título abaixo, tirado do G1.

CRUZ VERMELHA TENTA RECUPERAR CORPOS DE REFÉNS DAS FARC MORTOS

Ainda bem que os corpos estão mortos!

Como diz Roy, nas 51 ferramentas de textos: “Beware of adverbs. They can dilute the meaning of the verb or repeat it.”

Nesse caso, o substantivo “mortos” é desnecessário. A menos que o repórter quisesse dizer: Cruz Vermelha tenta recuperar corpos de reféns mortos pelas Farc.

Na mesma matéria, outra lição.

“A missão do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) encarregada de recuperar os corpos de 11 ex-deputados colombianos mortos enquanto estavam em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) continuou seus trabalhos hoje no sudoeste do país.”

O Roy diz: “Begin sentences with subjects and verbs, letting subordinate elements branch to the right. Even a long, long sentence can be clear and powerful when the subject and verb make meaning early.”

Seguindo esse conselho, o repórter perceberia que a notícia é outra. A Cruz Vermelha ainda não conseguiu recuperar os corpos de 11 ex-deputados...

Ah, como a Cruz Vermelha não recupera ninguém... eu acrescentaria os funcionários, os agentes, os técnicos, os médicos, os legistas da Cruz Vermelha.